Distrital Sandra Faraj ameaçou servidores, confirma testemunha Servidor da Secretaria de Justiça afirma que comissionados foram coagidos a sair em defesa da deputada. Relato reforça investigações do MP


Sandra Faraj (SD) não teria ameaçado apenas os ex-servidores que a acusam de embolsar verba indenizatória. Segundo um funcionário da Secretaria de Justiça (Sejus), a deputada coagiu os comissionados nomeados por indicação dela a agirem para salvar o próprio mandato, sob pena de perderem os cargos. As orientações incluíam uma ofensiva nas redes sociais contra veículos de comunicação e até mesmo telefonemas para os colegas da Mesa Diretora. A ideia era pressionar os parlamentares a desistirem de dar prosseguimento ao processo de cassação que corre contra a distrital na Câmara Legislativa.

“A deputada falou que todos envolvidos na denúncia iriam pagar”, disse o servidor da Sejus ao Metrópoles na noite desta quinta-feira (27/4). O homem participou da reunião convocada por Sandra Faraj no 25 de março, um sábado, no auditório do Colégio do Sol, no CA do Lago Norte. Na ocasião, a parlamentar mandou um recado aos presentes: “Eu não posso defender quem não me defende”.

As declarações do servidor são contundentes: ele diz que a própria Sandra Faraj, na frente de uma plateia de 300 pessoas, admitiu o uso da estrutura do Estado para interesses pessoais. Segundo o relato, Sandra revelou que dois servidores da Secretaria de Justiça foram destacados para investigar ex-funcionários do gabinete dela. Um deles é Filipe Nogueira, dono da Netpub.

Filipe e a esposa, Michelly Nogueira, acusam Sandra de contratar a empresa e não pagar pelo serviço. A deputada teria embolsado os R$ 150 mil da verba indenizatória liberada pela Câmara Legislativa. Esse caso, somado às denúncias de que Sandra Faraj recolhe parte do salário dos servidores indicados por ela, a título de “dízimo”, levou o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) a deflagrar, nesta quinta-feira (27/4), a Operação Heméra — deusa da mentira, de acordo a mitologia grega.

A deputada é investigada por uso irregular de recursos da verba indenizatória e por cobrar parte dos salários de servidores comissionados nomeados por ela ou por indicação dela.

Sandra e o irmão Fadi Faraj ainda são investigados por ameaça a testemunhas durante a apuração do MPDFT. Os crimes investigados são de corrupção, falsidade ideológica e uso de documento falso, além da coação no curso do processo. Fadi, que é o segundo suplente do senador José Antonio Reguffe (sem partido), comanda a igreja Ministério da Fé, em Taguatinga, onde Sandra também é pastora.

Celulares de servidores apreendidos
A reunião no Lago Norte reforça as investigações do MPDFT sobre a coerção a testemunhas. Segundo o servidor que participou do encontro, todos os funcionários da Secretaria de Justiça, da Administração Regional de Taguatinga e do gabinete de Sandra foram chamados. “Antes de entrarmos na sala, tivemos os celulares apreendidos e fomos obrigados a desligá-los para não ter perigo de que alguém estivesse gravando”, contou.

De acordo com o servidor, Sandra e Fadi apresentaram um vídeo para difamar os ex-servidores que a acusavam de irregularidades “Ela mostrou a foto de todo mundo e incitou o ódio”, acusou.

No fim, ela questionou quem tinha tirado os adesivos (dela) dos carros e falou: ‘Eu não posso defender quem não me defende. Então, quem não tiver com adesivo no carro, por favor, pegue o material e coloque, porque a minha equipe está vendo quem não tem’. De fato, enquanto a reunião ocorria, havia duas pessoas do gabinete dela no estacionamento, vendo os automóveis que estavam sem os colantes

Servidor da Sejus

Procurada pela reportagem para comentar as declarações, a assessoria de Sandra Faraj negou que o encontro convocado em 25 de março tivesse o objetivo de chantagear os servidores. Por meio de nota, a assessoria disse que “a reunião tinha o propósito de esclarecer os correligionários da deputada sobre os fatos que estavam sendo atribuídos à parlamentar. Isso foi esclarecido em depoimentos hoje (27/4) perante o Ministério Público. Não houve nada de ameaça ou qualquer outro tipo de conduta que possa configurar crime”.

Busca e apreensão
Representantes do MPDFT passaram a manhã desta quinta-feira na Câmara Legislativa. Até pouco depois do meio-dia, os promotores realizaram busca e apreensão no gabinete de Sandra Faraj e na sala da 1ª Secretaria da Casa. A igreja de Fadi Faraj também foi alvo da operação. Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão e quatro de condução coercitiva (quando a pessoa é levada para depor). Promotores recolheram documentos e um cofre da sede do templo.

Metropoles

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