Os desfiles das escolas de samba do Distrito Federal, que estavam previstos para acontecer neste final de semana, dias 17, 18 e 19 de abril, no estacionamento do Estádio Nacional Mané Garrincha, foram adiados. A mudança ocorreu após o cancelamento das comemorações oficiais do aniversário de Brasília pela governadora Celina Leão, programação que teria o carnaval fora de época como uma das principais atrações culturais da festa.
A decisão foi tomada em conjunto com União das Escolas de Samba e Blocos de Enredo do Distrito Federal (Uniesbe), que concordou com medida diante do contexto atual e da necessidade de manutenção dos serviços públicos essenciais, especialmente na área da saúde.
Ainda não há uma data oficial definida para a realização dos desfiles, mas deve acontecer em maio. Enquanto aguardam a definição do calendário, as agremiações seguem com ensaios, planejamento e ajustes finais de fantasias, alas, carros alegóricos e bateria. As duas escolas de samba da cidade, Império do Guará. e Lobo Guará, foram convidadas para o desfile e está se preparando desde abril.
A programação havia sido pensada para ocorrer quase dois meses depois do período oficial do Carnaval e também para integrar as comemorações dos 66 anos de Brasília. Antes disso, os desfiles já haviam passado por remarcação, após previsão inicial para o fim de março. A mudança da primeira data ocorreu em razão de ajustes no cronograma e da necessidade de conclusão de etapas administrativas ligadas ao repasse de recursos pela Secretaria de Cultura. A pasta informou que o evento em abril também seria uma forma de homenagear o aniversário da capital. Já a Uniesbe-DF destacou, à época, que a alteração foi resultado de diálogo com as escolas, considerando o prazo necessário para a execução do projeto.
Mais tempo de preparação
O adiantamento foi recebido com certo alívio pelas duas escolas do Guará, que tiveram pouco tempo para preparar seus desfiles e estavam preocupados em não fazer feio na avenida. A Império do Guará e a Lobo Guará começaram seus ensaios há duas semanas, enquanto preparavam as alegorias. O presidente da Lobo Guará, Mário Santos, garante que a escola estava pronta para a apresentação, mas avalia que o novo prazo também pode contribuir para ampliar a preparação. “Vamos aproveitar esse período para continuar ensaiando com os foliões, aprimorando a bateria e melhorando a estrutura que irá para avenida. Enquanto isso, vamos continuar nos apresentando em espaços públicos, principalmente na Feira do Guará, aos sábados”, conta. A iniciativa é vista pela escola como uma oportunidade de aproximar a comunidade do trabalho que será levado à avenida, além de fortalecer a relação da agremiação com moradores, comerciantes e frequentadores da região. Edvaldo Lucas da Silva, presidente da Império do Guará, também garante que o desfile da escola está pronto, mas pode melhorar até a data da apresentação. “Tivemos muito pouco tempo para a preparação do desfile, o que nos obrigou a buscar apoio em escolas do Rio de Janeiro, mas estamos com tudo praticamente pronto”, diz ele.
A participação de duas escolas do Guará no desfile também representa um momento importante para a cultura local. Além da disputa na avenida, as agremiações funcionam como espaços de convivência, produção artística e mobilização comunitária. Os preparativos envolvem costureiras, ritmistas, carnavalescos, diretores, componentes e voluntários, movimentando a economia criativa e a vida cultural da cidade.
Retorno à avenida
O desfile das escolas de samba do DF marcaria mais uma etapa do retorno das agremiações à programação cultural da capital. O Distrito Federal ficou cerca de uma década sem desfiles regulares. A última apresentação antes da retomada havia ocorrido em 2014, e o retorno pontual aconteceu em junho de 2023, depois de anos de interrupção.
Mesmo com a volta em 2023, não houve desfiles das escolas em 2024 nem em 2025. De acordo com a Uniesbe-DF, a falta de recursos foi um dos principais motivos para a descontinuidade. Para a edição prevista neste ano, estavam destinados R$ 8 milhões, sendo R$ 3 milhões para a estrutura do evento e R$ 5 milhões para as escolas de samba e a entidade organizadora.
Pelo planejamento divulgado anteriormente, cada escola do Grupo Especial receberia R$ 380 mil, enquanto as agremiações do Grupo de Acesso teriam repasse de R$ 190 mil. A formalização do apoio financeiro dependia da tramitação do Termo de Fomento e da análise de documentos como plano de trabalho, cartas de exclusividade das escolas, planilha financeira detalhada e regulamento do desfile.
Com o novo adiamento, a expectativa das escolas se volta para a definição da data e para a manutenção das condições necessárias à realização do evento. Até lá, as agremiações seguem trabalhando para levar à avenida o resultado de meses de preparação e preservar uma das manifestações populares mais tradicionais da cultura brasileira no Distrito Federal.
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