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O Bitcoin e a Crise Grega

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Que oBitcoinrepresenta uma grande mudança no mundo financeiro, não há sombra de dúvida. Mas seria verdade que o Bitcoin pode ser a saída para a crise grega? Seria mentira que o aumento substancial de gregos negociandoBitcoins em Exchanges de outros países teria feito com que o preço da moeda disparasse? Antes de tentar encontrar respostas para essas perguntas, é preciso entender primeiro o que aconteceu na Grécia, buscar as razões e dimensionar o impacto desse revés que, na verdade, é reflexo de uma crise ainda maior que atingiu muitos países e cujos efeitos ainda reverberam em economias bem distantes da grega, como é o caso do Brasil, por exemplo.

Crise financeira é o termo utilizado quando instituições ou ativos financeiros se desvalorizam repentinamente causando endividamento das nações, pacotes de austeridade que diminuem ou retiram benefícios e recessão econômica, que é a consequência disso. Ao longo dos séculos XX e XXI, muitas crises financeiras abalaram o mundo, dentre as maiores, destacam-se a Grande Depressão (Crise de 1929 – Crash da Bolsa) e a Crise Financeira de 2008, que foi ocasionada pela falência de dois grandes bancos, um tradicional banco de investimentos dos Estados Unidos, o Lehman Brothers e o banco britânico Northern Rock, bem como, o estouro da bolha imobiliária (EUA).

Esta crise iniciada em 2008 é considerada a maior desde a grande crise de 29 e, aliada a um complexo conjunto de fatores, como: a globalização dos mercados financeiros; facilidades nas condições de crédito entre 2002-2008, que viabilizaram riscos de crédito mais elevados; desequilíbrios no comércio internacional; estouro da bolha imobiliária em 2008 nos Estados Unidos; e, por fim, a recessão global em andamento, formam a causa da Crise da Dívida Soberana Europeia que, por sua vez, responde pela Crise na Grécia, a qual teve sua situação agravada com a descoberta de que o governo omitiu informações macroeconômicas, dentre elas, o valor real da dívida nacional.

A fim de conter a crise, a Grécia lançou alguns pacotes de austeridade fiscal. O primeiro pacote começou com um empréstimo ao FMI e BCE (Banco Central Europeu) de 80 milhões de Euros e incluiu medidas de congelamento salarial dos funcionários públicos e redução de benefícios. Os pacotes seguintes continuaram cortando gastos e benefícios, aumentando taxas e impostos, reduzindo o número de empresas públicas e até mesmo de municípios. A combinação dessas medidas foi considerada como “sem precedentes” na história daquele país, ocasionando manifestações em massa, greve geral, repressão policial com saldo de feridos, mortos e cidadãos detidos.

A medida governamental que desencadeou o burburinho sobre a “solução bitcoin” para a crise na Grécia, foi o feriado bancário de 6 dias que impediu a corrida dos correntistas a fim de realizarem saques ou efetuarem transferências para bancos de outros países. Com efeito, a procura de clientes gregos em Exchanges deBitcoinfoi massiva, chegando a registrar 79% de aumento da procura por parte desse público específico. O fluxo reduzido do euro naquele país aliado ao temor do retorno do dracma (moeda grega) provocou, em dois meses, um aumento de 400% da procura pela única máquina deBitcoin.

Nessa toada de solução econômica, outras criptomoedas também mostram a que vieram em países cujas economias ainda são frágeis, como é o caso da Venezuela e Filipinas, onde a Raiblocks, que foi criada para ser acessível independente do poder aquisitivo, ficou muito popular. O limite de Raiblocks criadas foi de 133 milhões, as quais foram mineradas manualmente por resolução de captchas, gerando renda e sustento para essas pessoas. Se o Bitcoin não está mais tão acessível a todos, essa criptomoeda que não exige hardware de alta potência, tem baixo custo energético e transação a zero taxa, vem representando uma esperança.

OBitcoinfoi utilizado como alternativa para que a população grega se sentisse menos insegura enquanto o país enfrenta a turbulência da crise. No entanto, a imunidade dos ativos digitais em relação às arbitrariedades de governos e bancos, graças à descentralização que lhes é peculiar, é a única verdade em meio a tudo isso. Se chegam a representar solução para crises financeiras, é um palpite difícil de avaliar hoje. Talvez, com o distanciamento que só o tempo é capaz de promover, seja possível afirmar sem leviandades.

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