A radialista Sandra Bacelar, moradora do Guará, mãe atípica e pré-candidata a deputada distrital pelo PSD, coloca a representatividade das pessoas com deficiência no centro de sua decisão de entrar na disputa por uma vaga na Câmara Legislativa. Em entrevista ao Jornal do Guará, ela afirma que o movimento nasce da cobrança de famílias que há anos acompanham sua atuação na causa.
“Há muito tempo um grupo vem conversando comigo e falando que a gente precisa realmente de uma representatividade maior. Há anos a gente vem lutando muito pela causa, pedindo muito. A gente sempre está com o pires na mão em relação à pauta da deficiência”, afirma Sandra.
Interesse pela representatividade
Para Sandra, o debate sobre deficiência ainda aparece de forma concentrada em datas específicas, sem continuidade ao longo do ano. “A sensação que eu tenho é que a pauta da deficiência é sazonal. Quando dá o mês de abril, se fala muito de autismo. Quando vem o mês da síndrome de Down, das doenças raras, também. Eu acho que essa pauta precisa deixar de ser sazonal e virar uma prioridade diária”, argumenta.
Mãe de um jovem com autismo nível 3 de suporte, Sandra relaciona sua pré-candidatura à vivência direta com as dificuldades enfrentadas por famílias atípicas. “Uma pessoa não é autista só no mês de abril. Ela é autista e tem as suas demandas o ano inteiro”, reforça.
A pré-candidata também critica a forma como o Governo do Distrito Federal trata o tema. “Eu acho ainda com muito descaso, para ser sincera. Eu me decepcionei bastante com esse último governo”, critica. Segundo ela, uma das principais frustrações vem de uma promessa feita em 2018 à comunidade autista e às pessoas com deficiência, que previa a criação de um centro de tratamento amplo, com estrutura para atender diferentes demandas.
Sandra cita ainda a necessidade de discutir moradias assistidas, especialmente para pessoas com deficiência que perdem seus responsáveis. “Hoje, uma pessoa com deficiência que fica órfã não tem para onde ir. A maioria dessas pessoas, principalmente com autismo, vai para clínicas de dependência química, casas de recuperação. Não é um lugar adequado”, explica.
Atendimento e segurança
A instalação de um centro em área subterrânea de uma estação do metrô também é alvo de críticas da pré-candidata. Para Sandra, o espaço não corresponde ao tipo de acolhimento necessário para pessoas com maior necessidade de suporte. “Essas pessoas, principalmente os autistas nível 3 e as pessoas com paralisia cerebral, já são tão privadas de sair, de passear, de estar em um parque, em um lugar agradável. E aí se entrega um lugar onde elas vão continuar ficando presas, sem uma janela, sem um jardim, sem um céu, sem um sol”, observa.
A preocupação se estende à segurança. “Você imagina se um autista nível 3 escapa da mão dessa mãe e sai correndo. Ele atravessa facilmente aquelas catracas e está na linha do trem. Ou, se sobe aquelas escadas, tem aquele movimento absurdo de carro”, alerta Sandra. Para ela, ambientes voltados a esse público precisam considerar acessibilidade, acolhimento e proteção desde a chegada da família ao local.
Olhar para o
Guará e inclusão
Casada com o ex-deputado e ex-administrador do Guará Alírio Neto, Sandra afirma que a decisão também passa por uma reorganização familiar. “O Alírio já vinha falando há muito tempo que, para ele, já tinha dado, que estava pensando nessa aposentadoria e em trabalhar mais nos bastidores”, diz.
Ela compara o novo papel do marido ao de um técnico no esporte. “Um jogador de futebol, quando para de jogar, vira técnico. Então, não necessariamente porque você não vai ser candidato que precisa parar. Pode estar atuando no backstage e ser o técnico de muita gente”, compara.
Sandra afirma que não pretende transformar a política em uma carreira pessoal, mas abrir caminho para outras representações. “A minha missão é exatamente essa. Não tenho intenção de fazer disso uma carreira. Acho que nós precisamos que suba alguém e que, daqui a quatro anos, uma outra mãe esteja preparada para subir. E que esse futuro lugar esteja cheio de pessoas com deficiência”, defende.
Além da pauta da inclusão, a pré-candidata também apresenta preocupação com o Guará, cidade onde mora há anos. “A gente vem sentindo já há muitos anos um certo abandono. Eu não sei se a população tem essa mesma sensação, mas o Guará não é mais o que já foi”, avalia.
Sandra lembra a relação de Alírio Neto com a cidade e defende mais cuidado com a região. “Eu brinco que o Alírio sempre tratou o Guará como o quintal da nossa casa. Ele via uma tampa de bueiro aberta e já queria providência. O que falta para o Guará é realmente esse olhar mais cuidadoso e mais carinhoso. O Guará está precisando de carinho”, conclui.
Com a pré-candidatura, Sandra Bacelar busca transformar a vivência como mãe atípica, comunicadora e moradora do Guará em uma pauta política voltada à inclusão, ao cuidado e à presença permanente do tema da deficiência no Legislativo local.
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