O projeto do trem de passageiros entre o Distrito Federal e Goiás está pronto, segundo informou o ministro dos Transportes, George André Palermo Santoro na semana passada. O anúncio foi feito durante o lançamento das obras de implantação da terceira faixa na BR-070 DF/GO e da assinatura da ordem de serviço para duplicação da BR-080 DF/GO, em Águas Lindas de Goiás.
De acordo com o ministro, o traçado entre Luziânia e Brasília já foi concluído e será encaminhado à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), etapa necessária para a estruturação da concessão. Santoro afirmou ainda que o governo federal está próximo de assinar um acordo com o Exército para retomar a área da antiga Rodoferroviária de Brasília, considerada estratégica para a viabilização do projeto.
A área no entorno da Rodoferroviária, hoje sob gestão do Exército, tem cerca de 4,2 milhões de metros quadrados e é apontada pelo Ministério dos Transportes como peça importante para a modelagem financeira da concessão. A proposta é permitir a exploração imobiliária no entorno da estação, dentro das regras previstas no novo marco legal das ferrovias, como forma de ajudar a sustentar projetos de transporte ferroviário de passageiros.
Integração no Guará
A ligação prevista entre Luziânia e Brasília terá aproximadamente 62 quilômetros e deverá passar por Luziânia, Cidade Ocidental, Valparaíso de Goiás e o Distrito Federal. A iniciativa busca ampliar a oferta de transporte de média e alta capacidade para moradores do Entorno Sul, que se deslocam diariamente em direção à capital federal.
Como parte da viabilidade econômica e operacional da linha de passageiros, o projeto prevê uma estação de integração com o Metrô do Distrito Federal. O ponto de encontro entre a ferrovia e os trilhos do metrô fica no Guará, o que coloca a região como área estratégica para a conexão entre o transporte ferroviário vindo do Entorno e a rede metroviária da capital.
O novo projeto também prevê a recuperação da antiga estação Bernardo Sayão, localizada entre o Guará e o Núcleo Bandeirante, ao lado da via de acesso ao Park Way e a Arniqueira. A estação já fazia parte de propostas anteriores para a retomada do transporte ferroviário de passageiros e volta a ser considerada no planejamento atual.

Eixo Águas Lindas
Outro eixo em estudo envolve a ligação ferroviária entre Águas Lindas de Goiás e Ceilândia, substituindo a proposta anterior de implantação de um corredor de BRT. O trecho teria cerca de 22 quilômetros e conexão com a atual linha do Metrô do Distrito Federal, permitindo a integração dos passageiros à rede metroviária existente.
Segundo informações apresentadas por representantes locais, o sistema poderia operar com composições de quatro a oito carros e capacidade de até 1.200 passageiros por trem. A demanda estimada é de até 150 mil passageiros por dia, volume próximo ao movimento diário registrado atualmente no Metrô do Distrito Federal.
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, afirmou que o GDF solicitou reunião com o Ministério dos Transportes para tratar do projeto. Ela destacou que o traçado já existe, embora haja necessidade de troca de trilhos, e defendeu que o futuro do transporte público passa pela ampliação dos modais sobre trilhos.
No âmbito local, o Governo do Distrito Federal também planeja ampliar o Metrô até as regiões do Gama e de Santa Maria, além de implantar o VLT entre Ceilândia e Taguatinga. As propostas fazem parte de uma discussão mais ampla sobre mobilidade urbana no DF e no Entorno, com foco na integração entre municípios goianos e a capital federal.
O projeto ainda depende de etapas administrativas e regulatórias, como o envio à ANTT e a formalização da cessão da área da Rodoferroviária. A expectativa do governo federal é que a estruturação avance para permitir a concessão do serviço e a retomada do transporte ferroviário de passageiros na região.
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