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Líder de quadrilha que clonava “zap” de ministros é preso em PE

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DÉLIO ANDRADE
DÉLIO ANDRADEhttp://delioandrade.com.br
Jornalista, sob o Registro número 0012243/DF

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu um dos líderes da quadrilha que se passava por ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para aplicar golpes. O investigado foi detido durante cumprimento de busca e apreensão no âmbito da Operação Alto Escalão, deflagrada na manhã desta terça-feira (7/11).

Assista:

Identificado como José Gomes de Lima Neto, 57 anos, o alvo era foragido do sistema prisional e tinha mandado de prisão em aberto. Ele foi encontrado no Bairro da Mirueira, em Cidade Paulista (PE). Depois, foi levado para a sede Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), da Polícia Civil pernambucana (PCPE), onde teve foi ouvido e detido.

Em interrogatório, o suspeito confessou o crime e confessou que seria possível pegar mais dinheiro com as vítimas, porque elas ficavam “puxando saco de ministros”. O investigado disse, ainda, que os alvos da quadrilha chegaram a pediam emprego aos falsos políticos e que os criminosos prometiam providenciar as vagas.

José alegou que “nunca pedia valores altos”, mas transferências de R$ 1 mil a R$ 2 mil. Ele detalhou como executava o plano e afirmou que teve a ideia após ver notícias, imaginando que a população pediria ajuda pessoas públicas. Depois, ele pesquisava sobre a rotina dos ministros e anotava dados importantes, como cidades e órgãos visitados por eles.

Após colher as informações, ele criava perfis falsos para entrar em contato com as vítimas por telefone. José costumava ligar para órgãos que seriam visitados pelos ministros e pedir contato de diretores e presidentes, segundo as investigações.

Após conquistar a confiança desses alvos, ele entrava em contato, fingindo ser um ministro, e pedia que as vítimas fizessem Pix para ajudar parentes de uma pessoa supostamente falecida. Como justificativa, alegava estar impossibilitado de fazer transferências da própria conta.

Operação Alto Escalão

Policiais civis do Distrito Federal cumpriram oito mandados de busca e apreensão em Recife (PE) e João Pessoa (PB) contra estelionatários que se passavam por seis ministros do governo do presidente Lula.

A Operação Alto Escalão foi deflagrada por agentes da 5ª Delegacia de Polícia (Área Central). Os criminosos fingiam ser autoridades do primeiro escalão do Poder Executivo do país, “clonavam” perfis de WhatsApp e usavam imagens deles, bem como nomes e informações pessoais disponíveis em fontes abertas, para enganar as vítimas.

Depois, os criminosos entravam em contato com diretores e presidentes de órgãos públicos e privados para pedir “ajuda” com alguma suposta situação.

Geralmente, sob pretexto de ajudar terceiros, os falsos ministros contatavam as vítimas e lhes pediam que fizessem transferências via Pix para alguma pessoa necessitada.

O grupo criminoso teria usado perfis falsos dos seguintes ministros — além de outras autoridades:

Juscelino Filho (Comunicações)
Camilo Santana (Educação)
Renan Filho (Transportes)
Rui Costa (Casa Civil)
Luiz Marinho (Trabalho)
Carlos Lupi (Previdência Social)


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Funcionamento do esquema

Como falsos ministros, os criminosos diziam não poder transferir o dinheiro diretamente, pois não tinham como vincular o próprio nome a terceiros, mas, depois do pagamento, ocorreria o ressarcimento.

Em um dos casos, a quadrilha se passou por um ministro e contatou o presidente de uma associação comercial do interior de São Paulo, dizendo ter uma demanda em uma cidade vizinha.

Em seguida, alegou que uma pessoa ligada a ele havia morrido nesse município e que precisava repassar alguns recursos para a família do falecido, mas não conseguia efetivar a transação financeira. Nesse contexto, o falso ministro pedia que alguém da associação o fizesse e prometia devolver o valor.

Um fato que chamou a atenção dos investigadores foi os estelionatários sabiam da agenda das autoridades públicas pelas quais se passavam, porque o ministro escolhido teria algum compromisso político na mesma região dias antes, e representantes a associação comercial haviam participado do evento.

Seis meses de investigação

A 5ª DP começou a apurar os fatos depois de ministros do governo Lula terem procurado a delegacia para comunicar a prática de crimes por meio do uso dos nomes deles.

Após seis meses de investigação, os policiais, com o auxílio das polícias civis de Pernambuco e da Paraíba (PCPB), além de informações dos gabinetes de alguns ministros, conseguiram identificar 10 integrantes do grupo criminoso, todos moradores dos dois estados nordestinos.

Na operação deflagrada nesta terça-feira (7/11), as equipes cumpriram sete mandados de busca e apreensão em Recife e um em João Pessoa, nas residências dos investigados.

Os policiais ainda tentam identificar o total de vítimas enganadas e de autoridades públicas que tiveram a imagem usada indevidamente. Os investigadores também calculam o total do lucro obtido por meio dos crimes e o destino dado aos valores.

Os alvos da Operação Alto Escalão são investigados por fraude eletrônica e associação criminosa. Caso condenados, eles podem receber penas de até oito anos de prisão.

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