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Clube do Blues de Brasília, nascido no Guará, completa 25 anos

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DÉLIO ANDRADE
DÉLIO ANDRADEhttps://planaltonews.com.br
Jornalista, sob o Registro número 0012243/DF

Para Jussara de Almeida, os 25 anos do Clube do Blues de Brasília não poderiam ser comemorados em qualquer lugar. Presidente da entidade e personagem de uma história que atravessa boa parte da trajetória recente da música independente do Distrito Federal, ela vê no retorno do Festival República Blues ao Guará uma volta às origens.

“Para mim, esse festival está sendo muito especial. É muita resistência, muita luta”, conta Jussara. “A gente sair do Plano Piloto e vir para as raízes, vir para o Guará, fazendo esses 25 anos, tem um significado muito grande.”

Fundado em 2001, o Clube do Blues nasceu no Guará e mantém até hoje sua sede administrativa na cidade. Ao longo desse período, promoveu shows, festivais, oficinas, projetos culturais e encontros que aproximaram músicos brasilienses de artistas nacionais e internacionais. O República Blues tornou-se uma das principais iniciativas dessa trajetória.

 

A comemoração será neste sábado, 22 de agosto, quando o Sesc Guará recebe a 11ª edição do Festival República Blues. A programação começa às 17h30 e a entrada é gratuita, mediante a doação de um quilo de alimento não perecível destinado ao programa Sesc Mesa Brasil.

Uma história construída no Guará

A relação de Jussara e do Clube do Blues com a cidade vai muito além da escolha do local para o festival deste ano. Ela acompanhou diferentes momentos da vida cultural do Guará e participou de iniciativas realizadas quando a estrutura destinada à cultura na região ainda começava a se consolidar.

Na memória estão apresentações na antiga Casa de Cultura, encontros de produtores, músicos e artistas e as primeiras experiências que ajudaram a formar uma rede cultural na cidade. Jussara recorda apresentações da Brazilian Blues Band e de outros grupos em uma época em que a produção dependia especialmente da mobilização de artistas e produtores locais.

“Eu tenho muito orgulho de fazer parte disso tudo”, resume.

A própria história do Clube do Blues está relacionada à trajetória da Brazilian Blues Band, grupo formado na década de 1990 e que se tornou uma das referências do gênero no Distrito Federal. A banda volta a integrar o República Blues nesta edição comemorativa.

Jussara lembra também de uma época em que o festival se espalhava por vários dias e ocupava espaços tanto no Plano Piloto quanto no Guará. Artistas convidados de outros estados e do exterior também passavam pela cidade, fortalecendo uma programação que colocou Brasília no circuito nacional do gênero.

Com o passar dos anos, o formato mudou. Questões orçamentárias reduziram o número de dias em edições mais recentes, mas, segundo Jussara, também abriram espaço para ampliar a presença dos músicos do Distrito Federal. “O ano passado e este ano nós diminuímos o festival por uma questão orçamentária e colocamos mais bandas de Brasília”, explica.

Um festival para ocupar o Sesc

A edição comemorativa foi planejada para ir além dos shows. Segundo Jussara, a ideia é aproveitar diferentes áreas do Sesc Guará e criar uma programação que permita ao público permanecer no espaço durante toda a tarde e a noite.

Logo na chegada, os visitantes encontrarão uma exposição de xilogravuras dedicada a personagens da história do blues. A programação também terá jazz no fim da tarde, feira de economia criativa, carros antigos, espaços para crianças, sinuca e praça de alimentação.

Os shows começam às 18h. Entre os artistas divulgados estão Georgia W. Alô, Geriatric Blues Band, Mandalla, Procurados Blues Band e Brazilian Blues Band. De fora do Distrito Federal, o festival recebe a paulista Blues Beatles, que leva para o palco releituras de músicas dos Beatles com arranjos influenciados pelo blues, soul e rhythm and blues.

A atração internacional é o cantor e guitarrista norte-americano Jimmy Burns, representante do blues de Chicago. No República Blues, ele será acompanhado pela Bruno Marques Band.

A combinação entre convidados de fora e artistas da cidade é uma característica que o Clube do Blues procura preservar. Para Jussara, colocar a produção brasiliense no mesmo palco de músicos com trajetórias nacionais e internacionais sempre esteve entre os objetivos do festival.

Resistência cultural

Ao falar dos 25 anos, Jussara volta várias vezes à palavra resistência. Manter um projeto cultural por duas décadas e meia significou atravessar mudanças de espaços, formatos, patrocínios e condições de produção.

Nesse percurso, o Guará permaneceu como referência. É onde a entidade nasceu, onde ocorreram algumas das primeiras apresentações e onde permanecem relações construídas desde o início do projeto. Por isso, a escolha do Sesc para a celebração do aniversário tem, para ela, um componente afetivo.

Parte da equipe e de antigos parceiros que ajudaram a construir essa história também estará reunida na edição deste ano. “Até a equipe com que a gente iniciou o festival eu estou trazendo para pertinho da gente”, conta.

Depois de 25 anos, o República Blues retorna ao Guará não apenas como mais um evento no calendário cultural da cidade. Para quem participou de sua construção desde o começo, a noite de sábado representa o reencontro de um projeto com o território onde começou.

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