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Guará entrou no clima da Copa

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DÉLIO ANDRADE
DÉLIO ANDRADEhttp://delioandrade.com.br
Jornalista, sob o Registro número 0012243/DF

Por Aline Diniz

Decoração nas ruas, expectativa de aumento nas vendas e encontros entre amigos mostram que o Guará já começa a viver o clima da Copa. Em diferentes pontos da cidade, comerciantes ajustam suas estratégias, moradores participam da decoração das ruas e estabelecimentos se organizam para receber os torcedores. O cenário revela que, mais do que um evento esportivo, a competição continua sendo um momento de encontro, expectativa e oportunidades para diversos setores da economia local.
Eleita a melhor ornamentação da Copa do Mundo de 2022, no concurso promovido pela Administração Regional do Guará, a praça da QI/QE 2 reflete a animação dos moradores da quadra. Lá, o prefeito comunitário Francisco Xavier de Castro, o Pequito, mobilizou principalmente os jovens para pintar e ornamentar toda a praça com as cores da bandeira nacional. “A animação dos moradores este ano está maior do que na Copa anterior”, afirma Pequito.

Na QE 20 do Guará I, o gerente de bar Kenedy William já se prepara para uma intensa movimentação durante o torneio. O estabelecimento irá transmitir todos os jogos da Copa e a expectativa é de casa cheia principalmente nas partidas da Seleção Brasileira. “Nos jogos do Brasil esperamos uma média de 200 pessoas, com lotação máxima. Já nos jogos de outras seleções, o público costuma ficar entre 100 e 120 pessoas”, afirma. Segundo ele, o horário de funcionamento que normalmente é de terça a domingo de das 16 horas à meia-noite, será adaptado conforme o desempenho da equipe brasileira. “Se o Brasil avançar de fase, vamos abrir de acordo com o horário dos jogos, independentemente do horário em que acontecerem.”

“Na minha opinião, o Guará ainda mantém a tradição de enfeitar ruas e comércios. Inclusive, na QE 40, onde moro, já tem algumas coisas decoradas e eu estou fazendo parte do grupo que está enfeitando tudo”, comenta Anna Franklin

Apesar da grande presença de torcedores, Kenedy observa que o aumento do público, na sua opinião, nem sempre significa crescimento proporcional nas vendas. “As pessoas ficam muito focadas no jogo, tensas, e acabam não consumindo mais do que normalmente consumiriam”, explica. Ainda assim, ele acredita que o futebol tem um importante papel na fidelização dos clientes. “Pessoas que ainda não conhecem o local vêm para assistir aos jogos, gostam do ambiente e do atendimento e acabam retornando depois. O futebol ajuda a fidelizar.” Para o gerente, a Copa também contribui para criar um ambiente mais descontraído e animado. “Às vezes, a movimentação da Copa atrai um público mais animado”, comenta.
Se os bares se preparam para receber torcedores, nas ruas o sentimento também já começa a aparecer. Na QE 40 do Guará II, a moradora Anna Franklin acompanha as Copas há 12 anos e guarda um carinho especial pela edição de 2014, seu primeiro ano acompanhando a competição. Para ela, apesar de perceber a cada ciclo do torneio um certo desânimo em comparação a períodos anteriores, mesmo assim, ela acredita que a tradição de celebrar o futebol permanece viva na cidade. Para acompanhar os jogos, Anna pretende reunir-se com amigos em um estabelecimento próximo de casa. “Pretendo assistir aos jogos com meus amigos em um bar ou restaurante perto da minha casa.” Mais do que futebol, ela vê na Copa uma oportunidade de fortalecer laços entre as pessoas. “Na minha opinião, a Copa é uma boa situação para unir inclusive quem não estava se falando muito por qualquer motivo. Vizinhos e amigos se reúnem em torno do evento, em suas casas, na rua, em bares e restaurantes para assistirem aos jogos juntos.” Segundo a moradora, o que torna esse período especial é justamente a união em torno de um objetivo comum. “A animação e a disposição das pessoas de diferentes gostos futebolísticos acabam se unindo em torno de um só foco: torcer pelo Brasil.”

Como faz em todas as Copas, o morador da QE 38 Antonio Alves da Silva ornamentou, por conta própria, toda a sua rua. “Estou sentindo mais otimismo dos moradores com a conquista do hexa pela nossa seleção. As pessoas estão vestindo mais as cores da bandeira e aguardando com expectativa os jogos do Brasil”, conta.

Para atender à demanda, a padaria gerenciada por Isabela Aguiar já iniciou os preparativos internos. “Nos preparamos principalmente na questão das escalas de trabalho e folga, para que principalmente em dias de jogos tenhamos funcionários suficientes para atender os clientes, além do reforço nos estoques.”

Faturamento aumenta
Além dos bares, o comércio local também aposta no impacto positivo da competição. Na QI 20 do Guará I, a gerente de uma panificadora, Isabela Aguiar afirma que a Copa costuma criar oportunidades de vendas que fogem da rotina habitual. “A Copa consegue gerar oportunidades de vendas diferentes do dia a dia”, destaca. Entre os produtos mais procurados estão os tradicionais álbuns e figurinhas, além das promoções especiais que o estabelecimento estuda lançar durante a competição. A panificadora também pretende transmitir os jogos da Seleção Brasileira e outras partidas importantes.
Diferente do bar a expectativa na panificadora é de aumento no fluxo de consumidores e nas vendas. “Nos dias de jogos aumenta a quantidade de clientes e o marketing da empresa, especifico e estratégico para esse momento é importante para esse aumento no faturamento.” Segundo Isabela, a equipe trabalha para oferecer opções que atendam ao perfil dos consumidores durante as partidas. “Acredito que as vendas vão crescer e estamos nos preparando para isso, principalmente com produtos de preparo rápido para atender de modo satisfatório toda nossa clientela”
Ela acredita que o interesse do público por produtos ligados ao futebol continua forte e que a competição deve trazer resultados positivos para o negócio. “Aumenta as vendas, sim. Inclusive, essa é uma das metas e expectativas dos proprietários do estabelecimento.”
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial do Guará, Deverson Lettieri, há uma expectativa otimista do setor produtivo de aumentar o faturamento com a Copa. “Percorri o comércio do Guará em busca de enfeites para a Copa e não consegui encontrar o que procurava, porque os estoques haviam acabado. Isso é muito positivo, porque mostra o otimismo do brasileiro com a performance da seleção brasileira”, diz ele.
Entre o entusiasmo dos moradores, a preparação dos comerciantes e a expectativa dos empresários, o Guará já começa a entrar no ritmo da Copa. Mais do que partidas e resultados, o torneio segue funcionando como um momento de encontro, celebração e fortalecimento dos laços comunitários, mantendo viva uma tradição que atravessa gerações.

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