Vizinhos de Milce Maria Alonso Soares, 63 anos, e do filho dela, Cleber Baraldi Viana Filho, 27, encontrados mortos em um apartamento do sétimo andar no Residencial Mondrian, em Águas Claras, lamentaram o ocorrido na noite dessa terça-feira (9/1).
As informações iniciais do caso dão conta de que a mãe teria matado o filho, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), antes de se matar, segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). A tragédia foi descoberta depois de moradores do prédio sentirem um cheiro forte sair do apartamento onde a família havia alguns anos, segundo relatos.
Apesar de não ter escutado os disparos, uma vizinha contou que os moradores ficaram abalados após saberem das mortes. “Meu apartamento também fica no sétimo andar, só que em outra ala. Não ouvi barulho algum, mas estamos todos consternados com a situação. É triste ver uma família acabar assim”, lamentou a mulher, que preferiu não se identificar.
A vizinha comentou que os demais condôminos conheciam Cleber. “Ele descia, circulava pelas áreas comuns, buscava lanches na portaria. Todos sabiam do autismo dele. A mãe era discreta. Eu não a conhecia profundamente, mas sei que atuava em um consultório odontológico. Sabíamos que ela era quem cuidava do filho desde sempre. Foi um fim triste”, completou a entrevistada.
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Moradores informaram que um dos apartamentos exalava um cheiro muito forte
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Mãe e filho moravam sozinhos no apartamento
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Segundo informações da Polícia Civil do DF (PCDF), a mulher teria atirado e matado o próprio filho, que tinha Transtorno do Espectro Autista (TEA), e, sem seguida, se matou
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Caso aconteceu no Residencial Mondrian Antares
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Vizinhos lamentaram a morte da família
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Funcionários do condomínio não foram autorizados a passar informações
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Outro vizinho que estava no prédio na manhã desta quarta-feira (10/1) disse que aguarda informações sobre a despedida de mãe e filho, para prestar as últimas homenagens. “É difícil entender o que pode ter acontecido. Só podemos rezar para que os dois descansem em paz”, afirmou o morador do edifício.
Funcionários e a gerência do condomínio não foram autorizados a passar mais informações sobre o caso. Local e horário do velório e sepultamento de Milce Maria e Cleber também não foram divulgados.
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Caso ocorreu em Águas Claras
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Corpo do filho estaria na sala e da mulher no quarto
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Vizinhos chamaram a polícia após fortes odores na casa
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Uma mulher de 63 anos teria atirado no filho, de 27 anos
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Perícia feita no local
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Cleber Baralde Viana
Cleber Baraldi Viana
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Mortes
Os vizinhos acionaram um policial militar que morava no edifício e, depois, entraram em contato com a corporação. Ao invadirem o imóvel, os PMs encontraram os corpos do jovem, na sala, e da mãe dele, no quarto.
Delegada da 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul), Elizabeth Frade é uma das investigadoras do caso e afirma que, pelas condições dos corpos, o crime teria ocorrido ao menos dois dias antes de Milce Maria e Cleber serem achados por vizinhos.
“A suspeita é de que seja uma tragédia familiar mesmo. Mas, de toda forma, iniciamos a investigação e ouviremos testemunhas. Também precisamos aguardar a conclusão dos laudos periciais”, comentou a delegada. A PCDF investiga as circunstâncias do crime e a quem pertencia a arma de fogo.
Busque ajuda
O Metrópoles tem a política de publicar informações sobre casos de suicídio ou tentativas que ocorrem em locais públicos ou causam mobilização social. Isso por se tratar de um tema debatido com muito cuidado. O silêncio, porém, camufla outro problema: a falta de conhecimento sobre o que, de fato, leva as pessoas a se matarem.
Depressão, esquizofrenia e uso de drogas ilícitas são os principais males identificados pelos médicos em um potencial suicida. Há problemas que poderiam ser tratados e evitados em 90% dos casos, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).
Está passando por um período difícil? O Centro de Valorização da Vida (CVV) pode te ajudar. A organização atua no apoio emocional e na prevenção do suicídio, atendendo, voluntária e gratuitamente, todas as pessoas que querem e precisam conversar – sob total sigilo – por telefone, e-mail, chat e Skype, 24 horas, todos os dias.
O Núcleo de Saúde Mental (Nusam) do Samu também é responsável por atender demandas relacionadas a transtornos psicológicos. O Núcleo atua tanto de forma presencial, em ambulância, quanto a distância, por telefone, na Central de Regulação Médica. Basta ligar para 192.
A cada mês, em média, mil pessoas procuram ajuda no CVV – 33 casos por dia ou mais de um por hora. Se não for tratada, a depressão pode levar a atitudes extremas.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que, a cada dia, 32 pessoas cometem suicídio no Brasil. Atualmente, o CVV é um dos serviços no Distrito Federal onde se pode conseguir ajuda de graça, graças ao trabalho dos cerca de 50 voluntários que atendem a quem precisa.
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