Quando é que eu vou voltar a dormir?


De todas as agruras da maternidade, a que mais une mães e pais, em uníssono, é a privação de sono. Você até tenta se preparar psicologicamente para isso. Na gravidez, estuda sobre maturidade do cérebro dos bebês, descobre que eles só vão aprender quando é dia e quando é noite depois dos três meses.

Também lê sobre ciclos de sono, picos de desenvolvimento, terror noturno e outras coisas antes absolutamente desconhecidas. Você faz o dever de casa, antevê dias difíceis, regula as expectativas. Mas quando você está há cinco, seis, oito meses, um ano – ou, no meu caso, mais de três anos, entre mais velho e caçula – nesse looping eterno, só dá para olhar aos céus e perguntar: algum dia eu vou dormir bem outra vez?

Nas minhas andanças, já cruzei com mães que juram ser possível voltar a ter uma noite de oito horas ininterruptas de sono. Gente, eu vibro quando chegamos a cinco; com oito, ficaria maravilhosa, cabelo sedoso, pele sem sinais da exaustão, humor tinindo.Porque, olha, se tem uma coisa que pega com a privação de sono é o estado de espírito. Não tem felicidade que resista ao sono picado, estou para dizer que só o amor de mãe mesmo. E olhe lá.

Eu amo meus filhos com todas as forças, mas quando estou no bom do sonho, o corpo relaxado, e acordo com aquele barulho estridente vindo da babá eletrônica, deixo de amá-los um pouquinho. Só um pouquinho, só por alguns instantes.

E não adianta muito o pai acudir. Na minha casa, estamos em uma fase em que só mamãe resolve. O bebê, porque ainda mama. E o mais velho, porque vê a atenção para o bebê e não quer ficar de fora. Meu marido até tenta, mas a gritaria é tanta, que eu não tenho como ficar imune. E lá vamos nós, torcer para que esta noite sejam apenas duas ou três acordadas na madrugada (sim, isso é bom para o nosso padrão!).

E, se depois de uma madrugada difícil, você pensa: ah, mas eles estão cansados, devem esticar mais pela manhã. Nananinanão. O Sol nem bem nasceu e o mais velho se põe a gritar: é dia, é dia, mamãe!, acordando o bebê e a casa inteira.

Tempo atrás, uma amiga querida, mais velha, comentou que ter crianças pequenas em casa é como se todos os dias fossem manhã de Natal. Achei lindo e poético, me peguei pensando em como é maravilhoso vê-los tão animados para a vida, todos os dias (e algumas noites também). Mas, olha, cansa, viu.

Vocês aí, já voltaram a dormir normalmente?

Quando é que eu vou voltar a dormir?

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